APM participa da 1ª Campanha Pan-Americana contra a Hepatite

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Associação Paulista de Municípios (APM) participará ativamente
da 1ª Campanha Pan-Americana contra a Hepatite,
uma ação que os países do continente realizando ações
de testagem e tratamento contra a Hepatite C. Os
organizadores estão planejando ações desde a
Patagônia Argentina até o Alasca americano.

A 1ª Campanha Pan-Americana contra a Hepatite será realizada pelo Rotary, em parceria com a APM, juntamente com as cidades, estados e federação de cada país. Apenas para
os municípios de São Paulo estão reservadas doações de 1,5 milhão de testes rápidos de Hepatite C, segundo Humberto Silva, presidente da Associação Brasileira dos Portadores
de Hepatite (ABPH), criador do projeto mundial Hepatite Zero, que hoje é um trabalho importante do Rotary Club.
‘‘Tudo o que pudermos fazer para colaborar numa campanha meritória como esta, a APM fará’’, ressaltou o presidente Carlos Cruz, durante encontro com Humberto Silva, oportunidade em que começaram a ser definidas as estratégias para sensibilizar as cidades paulistas a se engajarem nesse trabalho. Já está definido que os municípios interessados
em realizar os testes (devem ser realizados nas ruas, estações de metrôs, etc.) podem requisitar os kits na página do projeto, através do link www.hepatitezero.com.br ou solicitar na Associação Paulista de Municípios.
Humberto, que não é médico, mantém 7 clínicas gratuitas que já atenderam 40 mil pacientes. Graças ao seu sonho, mais de 1 milhão de pessoas já foram testadas e milhares de portadores do vírus descobertos, em todo o Brasil e partes da América Latina. Sua história e o envolvimento com esta causa está contado no livro “Hepatite Zero – Uma Luta Para Salvar Meio Bilhão de Pessoas”, de sua autoria, que fala desta grande ação que está
sendo implantada em vários países para a erradicação total das hepatites virais. A obra percorre, ainda, casos inusitados que fizeram parte da luta obstinada do ativista, imagens do projeto em várias partes do mundo, além de informações detalhadas sobre as hepatites e ideias para erradicá-las.
A hepatite é hoje considerada um problema de saúde pública. Estima-se que, no mundo, quase meio bilhão de pessoas estejam infectadas sem que tenham recebido o diagnóstico. Só no Brasil são cerca de 3 milhões. Ao criar esta campanha no continente, o presidente
da Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite (ABPH), se propôs a mudar esta situação. Existe uma prevalência de 1% de infectados na população, de maneira que uma cidade como Campinas, por exemplo, que tem cerca de 1 milhão de habitantes deve ter pelo menos 10 mil pessoas contaminadas.
O detalhe é que 90% das pessoas que estão contaminadas não tem conhecimento disso e a doença corre silenciosamente.
Assim, o teste rápido, no estilo do da diabetes, é fundamental e salva vidas, porque permite que se tome providências visando o tratamento. O Grupo Rotariano para a Erradicação das Hepatites já realizou mais de 1 milhão de testes e descobriu 10 mil infectados. A Hepatite C (transmitida pelo contato sanguíneo) já tem cura, com tratamento simples de 2 pílulas por dia, durante 3 meses. O governo brasileiro cobre todo o custo do tratamento.

Doença silenciosa evolui para infecção crônica
Um dos grandes desafios hoje é identificar quem possui a doença, mas desconhece sua condição, já que ela pode permanecer ‘‘silenciosa’’ por décadas. Outra barreira é garantir que o tratamento seja, de fato, acessível para todos os infectados, já que o custo elevado e a logística de distribuição dos medicamentos podem ser limites importantes para os sobrecarregados sistemas de saúde pública dos países em desenvolvimento. A infecção pelos vírus da hepatite C (HCV) é transmitida basicamente pelo sangue. A maior parte
dos portadores se infectou em transfusões realizadas antes de 1992 (quando ainda não existiam testes específicos para detecção do vírus nos bancos de sangue) ou ao compartilhar agulhas e seringas, principalmente entre usuários de drogas injetáveis. Em quase um terço dos casos se desconhece a origem da infecção (transmissão na gestação,
sexo sem proteção ou uso de materiais domésticos ou hospitalares com sangue contaminado são algumas possibilidades).
Cerca de 20% dos infectados se curam espontaneamente, mas os demais 80% evoluem para uma infecção crônica (mais ou menos grave) que leva até 20 anos para se manifestar. O vírus provoca um processo inflamatório no fígado que pode causar danos sérios antes de ser detectado.
Em teoria, quanto mais cedo a detecção e o tratamento, maiores as chances de cura, com menos impactos para a saúde. A doença é hoje uma das principais responsáveis pela insuficiência hepática, cirrose, câncer do fígado e a necessidade de transplante do órgão. Cerca de 20% das infecções crônicas evoluem para cirrose e, de 1% a 5% para câncer de
fígado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites
virais (incluindo as hepatites A,B,C,D e E) mataram 1,4 milhão de pessoas em 2016, mais do que malária, tuberculose ou aids.
Nos EUA, por exemplo, de acordo com dados dos Centros de Controle de Doenças (CDC), a hepatite C atinge hoje 4,1 milhões de pessoas (quase 4 vezes o número de portadores
do HIV, causador da aids), mata mais do que qualquer outra infecção e o número de casos só vem aumentado, principalmente em função da epidemia de drogas opioides.

Brasil
Dados do Ministério da Saúde estimam que 700 mil pessoas estão cronicamente infectadas com o HCV. Aproximadamente dois terços desse montante não sabem que têm a doença. Foram realizados 319 mil diagnósticos de 1999 até 2016 e, cerca de 67 mil pessoas já receberam os novos tratamentos
contra hepatite C.
De acordo com Cheinquer, descontados os casos tratados e os óbitos no período, cerca de 100 mil pessoas estão hoje na “fila de espera” dos novos medicamentos no SUS,
além daqueles que ainda vão ser identificados. O plano para atingir a meta da OMS até 2030 prevê o tratamento de certa de 600 mil pessoas.

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